segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O SERGIPE NÃO POSSUI UM TRABALHO DE BASE!



       Há um velho adágio popular que diz: “craque se faz em casa”. Só que no Estado, e mais precisamente no Club Sportivo Sergipe, isso não se aplica, pelo menos por enquanto. O que efetivamente há são lampejos desse trabalho de formação de atletas, pois a escolinha do “mais querido” é explorada por um particular (e não diretamente pelo clube), e a equipe de juniores só permanece em atividade durante o período do Campeonato Estadual de profissionais, que é disputado simultaneamente com aquela categoria.

       Esse é um ponto que precisa ser revisto, pois o mais correto seria a realização de um campeonato de juniores independente do de profissionais, por pelo menos uns oito meses - aliás, como propomos em uma matéria anterior, o Campeonato Estadual de profissionais deveria ter a mesma duração. Assim, haveria uma continuidade do trabalho dos juniores, e os atletas teriam maiores probabilidades de se destacarem, e consequentemente, integrarem o elenco principal. O que ocorre no modelo atual é a dissolução do plantel de juniores após o término do Campeonato Sergipano, em maio, só voltando às atividades no final do ano, já visando o Estadual da próxima temporada. Assim sendo, é quase impossível revelar novos talentos, pois o aperfeiçoamento em qualquer profissão, e com o futebol não é diferente, é o que propicia o indivíduo a se destacar naquilo que se propôs a realizar.

       Quando há um trabalho nas categorias de base, a negociação de atletas jovens se torna um fato constante, rotineiro, entrando, dessa forma, dinheiro no cofre dos clubes. Podemos citar como exemplo o ASA de Arapiraca, que disputa atualmente a Série B do futebol brasileiro, que na semana passada acertou o empréstimo de Júnior Viçosa para o Grêmio, de Porto Alegre. O atacante foi revelado na equipe de juniores do ASA. E caso a equipe gaúcha adquira o seu passe, em definitivo, ao término do Campeonato Brasileiro, o Asa, com o valor da transação, provavelmente irá construir um Centro de Treinamento, justamente para revelar novos jogadores.

       O trabalho de base é necessário, pelos menos nas categorias sub-18 e sub-16. Se tivéssemos uma estrutura maior, o ideal seria começar com o dente-de-leite, infantil, sub-11, e etc, mas o futebol local ainda não comporta isso. Mas para as duas faixas citadas acima, isso pode ser posto em prática, como era há alguns anos, quando surgiram grandes jogadores, como Elenílson, Sandoval, Carlinhos, Lêniton, André Veiga, o zagueiro Marcos, Edílson, Gildásio, Baianinho, Paulo Sérgio Adocica, Paulo Sérgio (lateral), Jaílton, Vicente, Diogo (que está no Ceará), e outros mais recentemente, como Willian Thiego (ex- Grêmio), Vinícius (Cruzeiro), Seninha, Alex Júnior e Tarcísio - esses dois últimos já estão há algumas temporadas no futebol português.

       Portanto, não resta dúvidas de que o Sergipe foi um clube revelador de craques, e a esse trabalho não foi dado continuidade, e essa é uma das razões pelas quais o clube atualmente está nessa situação, sem qualquer destaque à nível nacional, e até mesmo local, visto que não conquista o título estadual há sete anos.

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